MIKHAIL SERGEEVITCH GORBACHOV , ( * )O MAIOR ESTADISTA RUSSO DO SÉCULO XX ( * ) já publicado
Mikhail Sergeevitch Gorbatchov ou Gorbachev;
em russo : Михаи́л Серге́евич Горбачёв, GLC , (Stavropol,
2 de março de 1931 – Moscou, 30 de agosto de 2022) foi um estadista e político russo. Oitavo e
último líder da União Sovi´teica, foi Secretário-Geral do Partido
Comunista da União Soviética (PCUS) de
1985 a 1991. Foi chefe de Estado do país de 1988 a 1991, na posição de
Presidente do Presidium do Soviete Supremo de 1988 a 1989, Presidente do
Soviete Supremo de 1989 a 1990 e Presidente da União Soviética de 1990 a 1991.
Ideologicamente, sua identificação inicial era com os ideais marxistas-leninistas, tendo,
entretanto, no início da década de 1990, se inclinado à social-democracia.
De origens russas e ucranianas, Gorbatchov nasceu em Privolnoye, Kral de Stavropol em uma família pobre camponesa. Nascido e criado durante o governo de Josef Stalin, operava colheitadeiras em uma fazenda coletiva durante sua juventude, antes de filiar-se ao Partido Comunista, que, à época, governava a União Soviética sob um regime unipartidário de orientação marxista-leninista.
Durante seus estudos na Universidade Estatal de Moscou, casou-se com sua colega de faculdade Raissa Titarenko em 1953, dois anos antes de graduar-se em direito.
Ao mudar-se para Stavropol, trabalhou para a Komsomol, organização juvenil do PCUS e, após a morte de Stalin, tornou-se um forte apoiador das reformas desestalinizadoras do líder soviético Nikita Khrushchov. Foi nomeado Primeiro Secretário do Comitê Regional de Stavropol do PCUS em 1970, posição na qual supervisionou a construção do Grande Canal de Stavropol.
Em 1978, retornou
a Moscou para tornar-se Secretário do Comitê Central do PCUS e, em
1979, entrou para o Polituboro. Após os três anos que se seguiram desde a morte
do líder soviético Leonid Brezhnev, após os breves governos de YuriAndropov e
Konstantin Chernenko, o Politburo elegeu Gorbatchov Secretário-Geral,
tornando-o chefe de governo de facto, em 1985.
Apesar de seu compromisso de preservar o estado soviético e seus ideais socialistas, Gorbatchov acreditava que reformas políticas significativas eram necessárias, especialmente após o acidente nuclear de Chernobyl de 1986.
Ordenou a retirada soviética da Guerra do Afeganistão e participou de diversos encontros com o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan para limitar a proliferação de armas nucleares e acabar com a Guerra FrIa;
No que diz respeito à política interna, implementou a glasnot ("transparência"), política que aumentava as liberdades de expressão e imprensa, e a perestroika ("reestruturação"), política que objetivava descentralizar a tomada de decisões no âmbito econômico, com o propósito de aumentar a eficiência econômica.
Suas medidas democratizantes e a formação do Congresso dos Deputados do Povo enfraqueceram o sistema estatal unipartidário. Gorbatchov recusou-se a intervir militarmente nos vários países do Bloco do Leste que abandonaram suas orientações marxistas-leninistas nos anos de 1989 e 1990.
Um sentimento nacionalista crescente ameaçava o colapso da União Soviética, levando partidários marxistas-leninistas a tentarem u mgolpe de Estado contra o governo de Gorbatchov em agosto de 1991. Subsequentemente, houve a dissolução da União Soviética contra os desejos de Gorbatchov, levando-o a renunciar em dezembro.
Após deixar o cargo, criou a Fundação Gorbatchov,
tornou-se crítico dos governos dos presidentes russos Boris Yeltsin e
Vladimir Putin, e fez campanha pelo movimento social-democrata russo.
Considerado uma das figuras mais importantes da segunda metade do século XX, Gorbatchov continua uma figura controversa. Galardoado com um grande número de prémios, incluindo o Prêmio Nobel da Paz, foi amplamente elogiado por seu papel pelo fim da Guerra Fria, pela redução dos abusos de direitos humanos na União Soviética e por sua tolerância tanto à queda dos governos socialistas do leste europeu quanto à reunificação da Alemanha.
Por outro lado, na Rússia, é constantemente
escarnecido por não ter impedido o colapso soviético, evento que resultou em um
declínio da influência russa no mundo e precedeu uma crise econômica.
Infância e juventude
Mikhail Sergueievitch Gorbatchov nasceu em 2 de março de 1931, no território de Stavropol.
Filho de cristãos, seu pai, Serguei Gorbatchov (1909-1976), era russo, e sua mãe, Maria Gopkalo (1911-1993), era ucraniana.
Durante a guerra, quando o jovem
Gorbatchov ainda tinha dez anos, o território onde sua família morava foi
ocupado por tropas alemãs, e seu pai partiu à frente de batalha. Após a
libertação da cidade, chegou à família a notícia de que o pai havia perecido
entre os heróis.
Aos 13 anos, passou a dividir a escola com o trabalho de campesino, em um kolkhoz.
A partir dos 15, começou a trabalhar
de auxiliar de eletricista em uma maquinaria. Em 1948, foi laureado com a Ordem
do Estandarte Vermelho do Trabalho, como eletricista exemplar. Aos 19 anos,
candidatou-se a uma vaga no PCUS, mas seria aceito somente
dois anos mais tarde, com recomendações do diretor e dos professores de sua
escola. Ainda em 1950, ingressou na faculdade de Direito da Universidade Federal
de Moscou, onde graduou-se em 1955. Em setembro de 1953, casou-se
com Raíssa Titarenko,
que conhecera na universidade. Já licenciado, trabalhou na promotoria de Stavropol, enquanto na vida política ficou
encarregado da direção do departamento de agitação e propaganda do Komsomol da região, até 1962.
Carreira
Em 1961, Gorbatchov foi um dos delegados do XXII Congresso do Partido Comunista que, entre outros assuntos, definiu a ruptura sino-soviética. Em 1966, então com 35 anos, completou os estudos no Instituto Agrícola como economista-agrónomo. Começou, então, a progredir rapidamente na sua carreira política. Em 1970, foi nomeado ministro da Agricultura e, no ano seguinte, membro do Comitê Central. Em 1972, dirigiu uma delegação soviética à Bélgica e, dois anos mais tarde, em 1974, tornou-se representante do Soviete Supremo.
Passou a fazer parte do Politiburo em 1979. Lá recebeu a proteção
de Iuri Andropov, chefe do KGB, também natural de Stavropol, e foi promovido durante o breve
período em que Andropov fora líder da União Soviética, antes da sua morte, em 1984.
As posições que tomou no partido deram-lhe a oportunidade de realizar viagens a diversas partes do mundo, o que terá influenciado o seu ponto de vista político e social, como líder do seu país.
Em 1975, dirigiu uma delegação à República Federal da Alemanha e em 1983 liderou outra ao Canadá, onde se encontrou com o primeiro-ministro Pierre Trudeau, com os membros da Câmara dos Comuns e do Senado.
Governo
Gorbatchov
presidindo sessão do Soviete Supresso da URSS.
Com a morte de Konstantin
Chernenko, Mikhail Gorbatchov foi eleito pelo Politburo como líder da União Soviética, a 11 de março de 1985.
No posto, inaugurou diversas reformas
e campanhas, que a longo prazo conduziriam o país a uma economia de mercado, ao
fim do monopólio do poder central do PCUS e, posteriormente, à
desintegração da União Soviética.
"Mais socialismo signfica mais democracia, transparência e coletivismo na vida cotidiana! "
Uma de suas primeiras atividades políticas foi a contraditória campanha contra o alcoolismo, criada em 1985, que levou a um aumento de 45% nos preços das bebidas alcoólicas, e consequentemente a uma redução na produção de álcool e vinhos e à escassez de açúcar nos mercados por conta da produção clandestina de bebidas alcoólicas.
Por outro lado, a sociedade registou um aumento na expectativa de vida e uma
considerável redução no número de crimes cometido sob efeito do álcool.
Em 1986, Gorbatchov teria de lidar
com o acidente nuclear de Chernobil, após a explosão do reator da usina da
cidade, localizada naUcrânia, que provocou uma onda de radiação por toda a
Europa.
Economia
A máxima econômica do governo de Gorbatchov era a aceleração, frequentemente associada ao aumento da produção industrial e consequente melhora no bem-estar da população em um rápido período.
A campanha acabou contribuindo para as primeiras cooperativas e iniciativas de reforma.
A transformação das companhias financiadas pelo estado em companhias autossuficientes, junto da retirada das restrições ao mercado externo, representou a introdução dos primeiros elementos de uma economia de mercado dentro da União Soviética, até então um país socialista.
A introdução de sistemas de cartão de crédito para o comércio de alimentos culminaria na hiperinflação, resultando no baixo poder de compra e posterior desaparecimento de produtos alimentícios dos estoques.
Sob Gorbatchov, a dívida
externa da União Soviética só crescia. Em 1985, a dívida externa era de
31,3 bilhões, enquanto em 1991, o valor era de 70,3 bilhões.
|
Índice |
1985 |
1991 |
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2500 t. |
240 t. |
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|
US$ 31,3 bilhões |
US$ 70,3 bilhões |
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Rublo/ dólar |
0,64 rublos/dólar |
90 rublos/dólar |
|
Crescimento econômico |
+2,3% |
-11% |
Política
As reformas políticas de Gorbatchov
introduziram eleições para o Soviete Supremo e
comitês regionais, a anistia ao
cientista e crítico Andrei Sakharov, seguida do término da perseguição a
dissidentes, a remoção da censura na mídia e em trabalhos culturais e a
supressão de conflitos locais, com destaque à manifestação dos jovens em Alma
alta, à intervenção no Azerbaijão e
à repressão aos movimentos nacionalistas das repúblicas do Báltico. Eventos
importantes marcaram o modelo político de Gorbatchov, incluindo:
·
A reforma interna no PCUS, resultando na formação de diversas
plataformas políticas e na consequente abolição do sistema unipartidário, com a
remoção constitucional do artigo que definia o Partido como a força motriz e
guia da nação;
·
A reabilitação das vítimas do regime de Stalin, após décadas de silêncio;
·
O fim da Guerra do Afganistão e a retirada das tropas
soviéticas;
·
A intervenção do exército em Baku, na madrugada de 20 de janeiro de
1990, contra a Frente Popular do Azerbaijão. Mais de 130 pessoas
morreram, incluindo mulheres e crianças.
A política da Glasnost foi um dos
pontos principais do governo de Gorbatchov. Apresentado em 1986, em meio a
conflitos nacionalistas e à insatisfação social, o projeto consistia na
abertura política, que tinha por objetivo trazer ao país a transparência e a
Liberdade de expressão.
Política externa
Em 1985, Gorbatchov viajou ao Reino Unido, onde encontrou-se com Margaret Thatcher, após um período de tensas relações entre a primeira-ministra britânica e os antecessores de Gorbatchov no Kremlin.
Em 1988, o presidente soviético anuncia que a o país abandonava oficialmente a Doutrina da Soberania Limitada, ao admitir que a Europa de Leste tinham o direito de adotar regimes democráticos, se desejassem.
Seu porta-voz, Guennadi Guerassimov, em tom cômico, denominou esta disposição como Doutrina Sinatra.
Isto levou à corrente de revoluções ocorridas nos países do Pacto
de Varsóvia, através das quais o socialismo entrou em colapso. Essas revoluções
ocorreram de forma pacífica e diplomática, como na Alemanha, com a queda do
Muro de Berlim, sendo a única exceção a Romênia, cujo
recém-instalado governo revolucionário julgou e executou o ditador Nicolae
Ceausescu. Terminava assim a Guerra Fria, o que justificou a atribuição do
Nobel da Paz a Gorbatchov, em 15 de Outubro de 1990.
A crise
A gradual democratização da União Soviética levou à perda de poder por parte do Partido Comunista, resultando na divisão do Partido entre as alas liberal, moderada e conservadora.
A ala liberal, chefiada por Boris Ieltsin e Anatoli Sobtchak, defendia uma abertura completa do país para o capitalismo e a independência de todas as repúblicas que estavam sob domínio soviético.
A ala moderada, liderada pelo próprio Gorbatchov, defendia a manutenção do Estado soviético e a continuação das reformas políticas e econômicas, enquanto a ala conservadora, liderada por Egor Ligatchov e GuennadiIanaiev e composta dos políticos conhecidos como linhas duras, era partidária da instalação de um novo regime que desse fim às reformas neoliberais e iniciassem um novo período político e econômico para a URSS.
Em poucos
dias, um impasse político se instauraria na União Soviética.
Em agosto de 1991, os conservadores se aliaram ao KGB para derrubar Gorbatchov e dar fim às suas reformas. Os liberais, porém, com o comando de Boris Iéltsin, enfrentaram os golpistas para manter Gorbatchov no poder.
Entre 19 e 21 de agosto, o presidente soviético foi
encarcerado em uma dacha na Criméia. Enquanto isso, em Moscou, os liberais detinham
os golpistas, e passados os três dias, Gorbatchov retornou ao poder.
Os planos de Iéltsin, contudo, não eram favoráveis a Gorbatchov. Conforme o líder liberal ganhava cada vez mais partidários, a popularidade de Gorbatchov abaixava constantemente.
O presidente
demitiu e encomendou a prisão dos membros do Politburo que tomaram a iniciativa
do golpe e que mais tarde ficariam conhecidos como a Gangue dos Oito.
Boris Iéltsin, que antes defendera Gorbatchov, agora tomava o poder de suas mãos. Declarando a Rússia uma república independente da União Soviética, Iéltsin proibiu a atividade do PCUS em solo russo, e em 8 de dezembro aliou-se aos presidentes de Ucrânia e Bielorrússia para apresentar a soberania destes países sobre o poder central soviético.
Neste momento, os dois poderes se conflitavam. Sem qualquer domínio ou autoridade, Gorbatchov, representando a URSS, reconheceu a vitória de Iéltsin e a independência das ex-repúblicas soviéticas, e então resignou ao cargo, sem antes declarar a União Sovietica oficialmente extinta.
Toda a estrutura governamental
soviética tornava-se nula, bem como o posto de Gorbatchov. Na noite de 25 de
dezembro de 1991, a bandeira soviética foi retirada do mastro do Kremlin, o
mais alto símbolo de poder na Rússia.
Vida pós-soviética
Em termos gerais, Gorbatchov é bem
visto no mundo Ocidental graças à sua contribuição para o fim da Guerra Fria.
Contudo, na Rússia, a sua reputação não é tão favorável devido à crise
económica e social que se instalou logo após a queda da URSS.
Criou a Fundação Gorbatchov em 1992. Em 1993, fundou também a Cruz
Verde Internacional. Foi um dos
principais promotores da Carta da Terra, em 1994. Tornou-se, igualmente,
membro do Clube de Roma.
A 17 de Junho de 1995 foi agraciado
com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade de Portugal.
Obteve menos de um por cento dos
votos na eleição presidencial de 1996.
Em 1997, Gorbatchov entrou num
anúncio da Pizza Hut, que passou na
televisão norte-americana.
A 26 de Novembro de 2001, Gorbatchov fundou, igualmente, o Partido Social Democrata Russo, como resultado da união de vários partidos que partilhavam esta ideologia.
Demitiu-se como líder
partidário em Julho de 2004 em consequência de desacordos com o presidente do
partido em relação às opções tomadas durante as eleições de Dezembro de 2003.
No início de 2004, Gorbatchov registrou a sua marca de nascença, na testa, devido à sua utilização por uma marca de vodka que lhe fazia referência.
O caso é tanto mais curioso
quanto Gorbatchov implementou algumas leis de combate ao alcoolismo enquanto
líder da União Soviética. A referida marca de vodka entretanto mudou de rótulo.
Em 8 de Fevereiro de 2004, foi
galardoado com um Grammy, juntamente com Bill Clinton e Sophia Loren pela
narração conjunta do disco Prokofiev: Peter and the Wolf/Beintus: Wolf
Tracks sobre Pedro e o lobo, de Prokofiev, uma versão moderna da história, com intuitos
ecológicos - o que vai ao encontro das preocupações ambientais que têm marcado
os últimos anos.
Foi considerado crítico do presidente Vladimir Putin. Em 2011, vinte anos após sua renúncia, Gorbatchov aconselhou que Putin deixasse a presidência, por conta da onda de protestos em massa que tomaram conta do país após as eleições legislativas daquele ano, afirmando que para salvar tudo o que o presidente já fez de positivo, ele teria de renunciar.
Putin respondeu às
críticas de Gorbatchov através de seu porta-voz, enfatizando que um ex-líder
que conseguiu quebrar o país hoje pede a renúncia de outro líder que salvou
a Rússia do mesmo destino.
Morte
Gorbatchov morreu no Hospital Clínico Central de Moscou em 30 de agosto de 2022, aos 91 anos de idade. A sua morte não recebeu maiores detalhes, com o hospital afirmando apenas de que se tratou de uma "doença grave e prolongada", estando sob supervisão contínua dos médicos desde o início de 2020.
Gorbachov será
enterrado no Cemitério Novodevicky de Moscou, ao lado de sua esposa Raisa,
que morreu em 1999, segundo seu testamento.
Na época de sua morte, Gorbatchov era
o governante mais longevo da Rússia na história, derrotando Alexander
Kerensky e o líder nominal da URSS Vasili Kuznetsov, que
ambos viveram até ter 89 anos.
Reações
O presidente da Rússia Vladimir
Putin expressou suas condolências pela morte de Gorbachev, segundo o porta-voz
do Kremlin Dmitry Peskov.
A presidente da Comissão Européia
rsula Von Der Leyen prestou homenagem a ele no Twitter, assim como o
primeiro-ministro do Reino Unido Boris Johnson, o ex-secretário de Estado
dos EUA Condoleessa Rice e
o Taoiseach da Irlanda Micheál Martin.
O secretário-geral das Nações Unidas, Antônio Guterres, disse que Gorbatchov era "um estadista único que mudou o curso da história e um líder global imponente, multilateralista comprometido e defensor incansável da paz", enquanto o ex-secretário de Estado dos EUA James Baker III afirmou que "a história lembrará Mikhail Gorbachev como um gigante que dirigiu sua grande nação para a democracia" no contexto da conclusão da Guerra Fria.
O
ex-primeiro-ministro canadense Brian Mulroney disse
que "ele era um homem muito agradável de se lidar" e "a história
o lembrará como um líder transformacional".
Recepção e legado
Opiniões sobre Gorbatchov são muito divididas. De acordo com uma pesquisa de 2017 realizada pelo instituto independente Levada Center, 46% dos cidadãos russos têm uma opinião negativa em relação a Gorbatchov, 30% são indiferentes, enquanto apenas 15% têm uma opinião positiva.
Muitos, principalmente nos países ocidentais, o veem como o maior estadista da segunda metade do século XX. A imprensa dos EUA referiu-se à presença de "Gorbymania" nos países ocidentais durante o final dos anos 1980 e início dos anos 1990, representada por grandes multidões que compareciam para saudar suas visitas, com a Time nomeando-o "Homem da Década" na década de 1980.
Na própria União Soviética, pesquisas de opinião indicaram que Gorbatchov foi o político mais popular de 1985 até o final de 1989. Para seus apoiadores domésticos, Gorbatchov era visto como um reformador tentando modernizar a União Soviética e construir uma forma de socialismo democrático.
Taubman caracterizou Gorbatchov como "um visionário que mudou seu país e o mundo — embora nem tanto quanto ele desejasse". Taubman considerava Gorbatchov como sendo "excepcional... como um governante russo e um estadista mundial", destacando que ele evitou a "norma tradicional, autoritária e antiocidental" de ambos os antecessores como Brezhnev e sucessores como Putin.
McCauley acredita que, ao permitir que a
União Soviética se afastasse do marxismo-leninismo, Gorbatchov deu ao povo
soviético "algo precioso, o direito de pensar e administrar suas vidas por
si mesmo", com toda a incerteza e risco que isso implicava.
Gorbatchov conseguiu destruir o que restava do totalitarismo na União Soviética; ele trouxe liberdade de expressão, de reunião e de consciência para pessoas que nunca a conheceram, exceto talvez por alguns meses caóticos em 1917.
Ao introduzir eleições livres e criar instituições parlamentares, ele
lançou as bases para a democracia. É mais culpa da matéria-prima com que
trabalhou do que de suas próprias deficiências e erros reais que a democracia
russa levará muito mais tempo para construir do que ele pensava.
—William Taubman,
biógrafo de Gorbachev, em 2017
As negociações de Gorbatchov com os EUA ajudaram a pôr fim à Guerra Fria e reduziram a ameaça de conflito nuclear. Sua decisão de permitir que o Bloco Oriental se separasse evitou conflitos significativos na Europa Central e Oriental; como Taubman observou, isso significava que o "Império Soviético " terminou de uma maneira muito mais pacífica do que o Império Britânico várias décadas antes.
Da mesma forma, sob
Gorbatchov, a União Soviética se separou sem cair em guerra civil, como
aconteceu durante a dissolução da Iugoslávia ao mesmo tempo. McCauley
observou que ao facilitar a fusão da Alemanha Oriental e Ocidental, Gorbatchov
foi "um co-pai da unificação alemã", garantindo-lhe popularidade de
longo prazo entre o povo alemão.
Ele também enfrentou críticas domésticas durante seu governo. Durante sua carreira, Gorbatchov atraiu a admiração de alguns colegas, mas outros passaram a odiá-lo. Em toda a sociedade, sua incapacidade de reverter o declínio da economia soviética trouxe descontentamento.
Os liberais achavam que ele não tinha o radicalismo para realmente romper com o marxismo-leninismo e estabelecer uma democracia liberal de livre mercado.
Por outro lado, muitos de seus críticos do Partido Comunista achavam que suas reformas eram imprudentes e ameaçavam a sobrevivência do socialismo soviético; alguns acreditavam que ele deveria ter seguido o exemplo do Partido Comunista da China e se restringido a reformas econômicas em vez de governamentais.
Muitos
russos viram sua ênfase na persuasão ao invés da força como sinal de fraqueza.
Para grande parte da nomenklatura do Partido Comunista, a dissolução da União Soviética foi desastrosa, pois resultou em sua perda de poder.
Na Rússia, ele é amplamente desprezado por seu papel no colapso da União Soviética e o colapso econômico que se seguiu. General Varennikov, um dos que orquestrou a tentativa de golpe de 1991 contra Gorbatchov, por exemplo, o chamou de "um renegado e traidor de seu próprio povo".
Muitos
de seus críticos o atacaram por permitir que os governos marxistas-leninistas
em toda a Europa Oriental caíssem, e
por permitir que uma Alemanha reunificada se juntasse à OTAN, algo que eles
consideram contrário ao interesse nacional da Rússia.
O historiador Mark Galeotti enfatizou a conexão entre Gorbatchov e seu antecessor, Andropov. Na opinião de Galeotti, Andropov era "o padrinho da revolução de Gorbatchov", porque, como ex-chefe da KGB, ele foi capaz de defender a reforma sem ter sua lealdade à causa soviética questionada, uma abordagem que Gorbatchov era capaz de construir e seguir adiante.
De
acordo com McCauley, Gorbatchov "colocou reformas em movimento sem
entender onde elas poderiam levar. Nunca em seu pior pesadelo ele poderia ter
imaginado que a perestroika levaria à destruição da União Soviética".
De acordo com o The Nes York Times,
"Poucos líderes no século 20, na verdade em qualquer século, tiveram
um efeito tão profundo em seu tempo. Em pouco mais de seis anos tumultuados,
Gorbatchov levantou a Cortina de Ferro, alterando decisivamente o clima
político do mundo."
Publicações
|
Ano |
Título |
Co-autor |
Editor |
|
1996 |
Memoirs |
– |
Doubleday |
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2005 |
Moral Lessons of the Twentieth Century: Gorbachev and Ikeda on
Buddhism and Communism |
Daisaku Ikeda |
I. B. Tauris |
|
2016 |
The New Russia |
– |
Polity |
|
2018 |
In a Changing World |
– |
|
|
2020 |
What Is at Stake Now: My Appeal for Peace and Freedom |
– |
Polity |
Notas
1. ↑ Cargo
denominado Presidente do Presidium do Soviete Supremo entre 1
de outubro de 1988 e 25 de maio de 1989, Presidente do Soviete Supremo de
25 de maio de 1989 a 15 de março de 1990 e Presidente da União
Soviética de 15 de março de 1990 a 25 de dezembro de 1991.
2. ↑ Devido à
falta de convenções para a transcrição do alfabeto cirílico ao latino, seu nome
é corriqueiramente grafado como Gorbatchev, Gorbachev, Gorbatchof, Gorbatchov,
entre outras variações. Uma possível transcrição fonética para o português
seria Mihaíl Sirguiêivitch Garbatchóf. O nome da introdução está de
acordo com as regras específica da comunidade.
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