MEDICINA E SAÚDE - PREVENÇÃO A QUEM TEM PROBLEMAS COM O CORAÇÃO -
Reanimação
cardiopulmonar (RCP) em adultos
PorShira A. Schlesinger, MD, MPH, Harbor-UCLA
Medical Center
Revisado/Corrigido: abr. 2023
VISÃO EDUCAÇÃO PARA O PACIENTE
·
Vias respiratórias e respiração|
·
Circulação|
A reanimação cardiopulmonar (RCP) é uma resposta
sequencial organizada à parada cardíaca, incluindo
·
Reconhecimento de ausência de respiração e circulação
·
Suporte vital básico com compressões torácicas e respiração de resgate
·
Suporte vital cardíaco avançado (SACV) com controle definitivo das vias
respiratórias e do ritmo
·
Cuidados pós-reanimação
Início imediato da compressão
torácica e desfibrilação precoce (quando indicada) são as chaves para o
sucesso.
Velocidade, eficiência e aplicação adequada de RCP
com o mínimo possível de interrupções determinam o sucesso do resultado; a rara
exceção é a hipotermia profunda causada por imersão em água gelada, na qual a
reanimação pode ser realizada com sucesso mesmo após uma parada prolongada (até
60 minutos).
Visão geral da
RCP
(Ver também
the American Heart Association [AHA] 2020
guidelines for CPR
and emergency cardiovascular care and 2022 AHA Interim
Guidance to Health Care
Providers for Basic and Advanced Cardiac Life Support in Adults, Children, and
Neonates With Suspected or Confirmed covid-19.)
São seguidas as diretrizes da American Heart
Association para profissionais de saúde (ver figura Cuidado cardíaco
emergencial abrangente para adultos). Se uma pessoa desmaiou com possível
parada cardíaca, o socorrista primeiro estabelece a não responsividade e
confirma a ausência de respiração ou a presença somente de respiração ofegante.
Então, o socorrista chama ajuda. Quem responder ao chamado é instruído a ativar
o sistema de resposta de emergência (ou pessoal adequado de reanimação
hospitalar) e, se possível, obter um desfibrilador. O suporte vital básico deve
ser iniciado imediatamente.
Se ninguém responder ao pedido de ajuda, primeiro o
socorrista ativa o sistema de resposta de emergência e então inicia o suporte
vital básico efetuando 30 compressões torácicas à frequência de 100 a 120/min e
em uma profundidade de 5 a 6 cm, deixando que a parede torácica retorne à
altura máxima entre as compressões e então abrindo a via respiratória (elevando
o queixo e inclinando a testa para trás) e fazendo 2 respirações boca a boca. O
ciclo de compressões e respirações é continuado (ver tabela Técnicas de
RCP para profissionais de saúde) sem interrupção; preferivelmente, cada
socorrista descansa a cada 2 minutos. É crucial que mesmo transeuntes não
treinados comecem e mantenham as compressões torácicas contínuas até a chegada
de socorro especializado. Portanto, muitas operadoras de serviço de resposta a
emergências agora dão instruções ao autor da chamada antes da chegada,
incluindo instruções por telefone sobre RCP utilizando apenas compressões.
Quando um desfibrilador (manual ou automático) é
disponibilizado, a pessoa com fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular (TV) sem pulso
recebe um choque não sincronizado (Ver também Desfibrilação). Se a parada cardíaca é
testemunhada e há um desfibrilador no local, a pessoa em FV ou TV deve ser
imediatamente desfibrilada, com as compressões retomadas imediatamente após o
choque ser aplicado; a desfibrilação precoce pode converter imediatamente a FV
ou TV sem pulso em um ritmo de perfusão. Se o ritmo inicial é a atividade
elétrica sem pulso ou assistolia, deve-se administrar uma dose inicial de 1 mg
de adrenalina IV/IO (intravenosa/intraóssea) o mais rápido possível após o
reconhecimento da parada cardíaca.
Cuidado
cardíaco emergencial abrangente para adultos
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*Se um número adequado de
pessoal treinado estiver disponível, avaliação do paciente, RCP e ativação
do sistema de resposta a emergências devem ocorrer simultaneamente. |
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Based on the 2020 American Heart Association
Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular
Care. |
|
As técnicas utilizadas na RCP
básica com 1 e 2 socorristas estão listadas na tabela Técnicas de RCP para profissionais de saúde.
O domínio é mais bem adquirido por meio de treinamento prático, tal como o
oferecido nos Estados Unidos sob os auspícios da American Heart Association
(1-800-AHA-USA1) ou por organizações correspondentes em outros países. |
Vias
respiratórias e respiração
A abertura da via respiratória recebe a segunda
prioridade (ver Limpeza e abertura da via respiratória superior)
depois do início das compressões torácicas. Para parada cardíaca
extra-hospitalar testemunhada com um ritmo inicial chocável, é aceitável
fornecer oxigenação passiva nos primeiros 6 minutos, como parte de um pacote
de serviços de emergência com o objetivo de minimizar as pausas no
fornecimento inicial de RCP e desfibrilação. Para as medidas mecânicas
referentes à reanimação em crianças, ver tabela Guia para reanimação
pediátrica — medidas mecânicas.
Quando os profissionais de saúde realizam
RCP, ventilação bolsa-válvula-máscara deve
ser iniciada o mais cedo possível, mas a ventilação bolsa-válvula-máscara não
deve atrasar o início das compressões ou desfibrilação. Os socorristas leigos
podem realizar RCP somente com compressões ou, se treinados para isso, podem administrar
respirações de resgate boca a boca (para adultos, adolescentes e crianças) ou
boca a boca e nariz combinados (para lactentes). Se disponível, pode-se
inserir uma cânula orofaríngea para manter a
permeabilidade das vias respiratórias durante a ventilação com ambu-máscara.
Pressão sobre a cartilagem cricoidea não é recomendada.
Ocorrendo distensão abdominal, a patência das vias respiratórias é
verificada novamente e a quantidade de ar aplicada durante a respiração de
resgate é diminuída. A entubação nasogástrica para reduzir a distensão
gástrica é retardada até a disponibilidade de equipamento de sucção, porque
durante a inserção pode ocorrer regurgitação com aspiração do conteúdo gástrico.
Se uma distensão gástrica pronunciada interfere na ventilação antes da
disponibilidade de sucção e não pode ser corrigida pelos métodos anteriores, o
paciente é posicionado em decúbito lateral, o epigástrio é comprimido e as
vias respiratórias são desobstruídas.
Quando socorristas qualificados estão presentes,
insere-se uma via respiratória avançada (tubo endotraqueal ou dispositivo
supraglótico) sem interrupção das compressões torácicas depois
das tentativas iniciais de desfibrilação e RCP, como descrito em Obtenção do controle das vias respiratórias.
Uma respiração é administrada a cada 6 segundos (10 respirações/minuto) sem
interromper a compressão torácica em adultos; lactentes e crianças recebem
respirações a cada 2 a 3 segundos (20 a 30 respirações/minuto). Todavia, a
compressão torácica e a desfibrilação têm precedência sobre a entubação
endotraqueal. A menos que socorristas altamente experientes estejam
disponíveis, a entubação endotraqueal pode ser adiada em favor de ventilação
com ambu-máscara, máscara laríngea ou dispositivo
semelhante.
Para pacientes com suspeita de ter covid-19, a American Heart Association
divulgou as diretrizes provisórias para suporte básico e avançado à vida (1, 2), que aconselha o seguinte:
·
Uso de equipamento de proteção individual (EPI) apropriado para
procedimentos que produzem aerossol (proteção respiratória contra partículas
no ar e de gotículas, proteção para os olhos, luvas) para todas as pessoas
presentes na área de tratamento durante a RCP ou outros procedimentos
avançados (p. ex., entubação, descompressão torácica)
·
Preferência por entubação endotraqueal ou colocação de via supraglótica
acima da ventilação com bolsa-válvula-máscara, se isso puder ser feito sem
interromper as compressões
·
Uso de filtro viral HEPA (filtro de ar particulado de alta eficiência)
em ambus ou circuitos de expiração do ventilador
·
Uso de um aparelho mecânico de compressão torácica, se disponível
Essa diretriz visa diminuir o risco para os
profissionais de saúde que prestam cuidados durante a parada cardíaca.
Referências sobre
vias respiratórias e respiração
- 1. Edelson DP, Sasson C, Chan PS, et al; American Heart Association
ECC Interim COVID Guidance Authors:
Interim Guidance for Basic and Advanced Life Support in Adults, Children,
and Neonates With Suspected or Confirmed COVID-19: From the Emergency
Cardiovascular Care Committee and Get With The Guidelines-Resuscitation
Adult and Pediatric Task Forces of the American Heart Association. Circulation 141(25):e933–e943,
2020. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.120.047463
- 2. Goodloe JM,
Topjian A, Hsu A, et al:
Interim Guidance for Emergency Medical Services Management of
Out-of-Hospital Cardiac Arrest During the COVID-19 Pandemic. Circ Cardiovasc Qual
Outcomes 14(7):e007666,
2021. doi:10.1161/CIRCOUTCOMES.120.007666
Circulação
Compressões
torácicas
Imediatamente depois do reconhecimento da parada
cardíaca, deve-se iniciar as compressões torácicas, que devem ser realizadas
com o mínimo de interrupções até a desfibrilação estar disponível. Em paciente
que não responde, cujo colapso não foi testemunhado, o socorrista treinado
deve iniciar imediatamente compressão cardíaca externa (tórax fechado),
seguida por respiração de resgate. As compressões torácicas nunca devem ser
interrompidas por > 10 segundos (p. ex., para entubação,
desfibrilação, análise do ritmo, colocação de catéter IV central ou
transporte). Um ciclo de compressão deve consistir em 50% de compressão e 50%
de liberação; durante a fase de liberação, é importante permitir o recuo
completo do tórax. A interpretação do ritmo e a desfibrilação (se apropriado)
são feitas assim que o desfibrilador estiver disponível.
A profundidade da compressão torácica recomendada
para adultos é cerca de 5 a 6 cm. Idealmente, a compressão cardíaca externa
produz um pulso palpável a cada compressão, embora o débito cardíaco seja de
apenas 20 a 30% do normal. Entretanto, a palpação dos pulsos durante a
compressão torácica é difícil até mesmo para médicos experientes e, com
frequência, não confiável. O monitoramento quantitativo do dióxido de carbono
expirado final pode fornecer uma estimativa melhor do débito cardíaco durante
as compressões torácicas; os pacientes com perfusão inadequada têm pouco
retorno venoso para os pulmões e, portanto, baixo nível de dióxido de carbono
expirado final (assim como aqueles com hiperventilação). Embora haja poucas
evidências corroborando números específicos no monitoramento fisiológico,
geralmente aceita-se que um nível de dióxido de carbono expirado final de 10 a
20 mmHg está associado a RCP adequada. Um aumento súbito significativo do
nível expirado de dióxido de carbono, geralmente para um valor > 30 mmHg,
ou um pulso palpável durante uma pausa nas compressões, indica restauração da
circulação espontânea.
Dispositivos para compressão
torácica mecânica estão disponíveis; esses dispositivos são tão eficazes quanto
compressões manuais adequadamente executadas e podem minimizar os efeitos do
erro de desempenho e fadiga. Podem ser especialmente úteis em algumas
circunstâncias, como durante o transporte do paciente ou no laboratório de cateterismo
cardíaco. O uso desses aparelhos também foi recomendado em pacientes com
suspeita ou confirmação de covid-19 (1).
A compressão cardíaca com tórax
aberto via toracotomia pode ser eficaz, mas é
utilizada somente em pacientes com lesões torácicas penetrantes, logo após
cirurgia cardíaca (isto é, dentro de 48 horas), em casos de tamponamento cardíaco e, mais
especialmente, após parada cardíaca na sala de cirurgia, quando o tórax do
paciente já está aberto. Todavia, a toracotomia requer treinamento e
experiência, sendo mais bem efetuada somente nessas indicações limitadas.
Complicações da
compressão torácica
Uma complicação frequente é a regurgitação seguida
por aspiração do conteúdo gástrico, causando pneumonia por aspiração, potencialmente fatal
em pacientes reanimados.
Frequentemente, separação costocondral e arcos costais fraturados não podem ser
evitadas porque é importante comprimir o peito de uma maneira suficientemente
para produzir fluxo sanguíneo suficiente. Fraturas são muito raras em
crianças, devido à flexibilidade da parede do tórax. Embolia da medula óssea
para os pulmões foi raramente relatada após compressão cardíaca externa, mas
não há evidências claras de que ela contribui para a taxa de mortalidade.
Lesão pulmonar é rara, mas pode ocorrer pneumotórax após uma fratura penetrante
de arcos costais. Deve-se considerar um pneumotórax hipertensivo em um paciente
que alcançou retorno da circulação espontânea após RCP prolongada e que,
posteriormente, tornou-se difícil de ventilar, ou que está hipóxico e
repentinamente tem uma nova parada. Lesão grave do miocárdio causada por
compressão é altamente improvável, com a possível exceção de lesão de um
aneurisma ventricular preexistente. A preocupação com essas lesões não deve
impedir o socorrista de realizar a RCP.
Laceração do fígado é uma complicação rara, mas
potencialmente grave (algumas vezes, fatal), sendo, geralmente, causada por
compressão do abdome abaixo do esterno. Ruptura do estômago (especialmente se
o estômago está distendido com ar) também é uma complicação rara. A ruptura
tardia do baço é muito rara.
Referência sobre
circulação
- 1. Atkins DL,
Sasson C, Hsu A, et al:
2022 Interim Guidance to Health Care Providers for Basic and Advanced
Cardiac Life Support in Adults, Children, and Neonates With Suspected or
Confirmed COVID-19: From the Emergency Cardiovascular Care Committee and
Get With The Guidelines-Resuscitation Adult and Pediatric Task Forces of
the American Heart Association in Collaboration With the American Academy
of Pediatrics, American Association for Respiratory Care, the Society of
Critical Care Anesthesiologists, and American Society of
Anesthesiologists. Circ Cardiovasc Qual Outcomes 2022;15(4):e008900.
doi:10.1161/CIRCOUTCOMES.122.008900
Desfibrilação
O ritmo mais comum em parada cardíaca testemunhada
em adultos é fibrilação ventricular (FV); a conversão
rápida a um ritmo perfusor é essencial. Taquicardia ventricular (TV) sem pulso é
tratada da mesma maneira que FV.
A desfibrilação imediata é a única intervenção
para a parada cardíaca, além da RCP de alta qualidade, que demonstrou melhorar
a sobrevida; entretanto, o sucesso da desfibrilação é dependente do tempo, com
declínio de cerca de 10% no sucesso após cada minuto de FV (ou TV sem pulso).
Desfibriladores externos automatizados (DEA) permitem que socorristas
minimamente treinados tratem TV ou FV. Sua utilização pelos primeiros a
atender ao chamado (polícia e bombeiros) e sua disponibilidade em locais
públicos aumentou a probabilidade de reanimação.
Pás ou coxins desfibriladores são colocados com um
na parede torácica anterior direita abaixo da clavícula na linha média da
clavícula e o outro sobre o 5º ou 6º espaço intercostal esquerdo no ápice do
coração na linha anterior axilar. Alternativamente, pode-se colocar duas pás,
uma sobre o hemitórax anterior esquerdo e a outra sobre o hemitórax posterior
esquerdo. O desfibriladores modernos raramente contam com as pás dos
desfibriladores convencionais. Quando presentes, as pás são utilizadas com
pasta condutora; os coxins possuem gel condutor incorporado. Recomenda-se um
choque inicial assim que um ritmo chocável é detectado, após o qual as
compressões torácicas são imediatamente retomadas. O nível de energia para
desfibriladores bifásicos é entre 150 e 200 joules (2 joules/kg em crianças)
para o choque inicial; desfibriladores monofásicos são calibrados em 360
joules para o choque inicial. O ritmo pós-choque só é verificado após 2
minutos de compressões torácicas. Choques subsequentes são aplicados em um nível
de energia igual ou superior (máximo de 360 joules em adultos ou 10 joules/kg
em crianças). Os pacientes que permanecem em FV ou TV recebem choques
adicionais a cada 2 minutos, juntamente com compressão torácica e ventilação
contínuas e opcional tratamento farmacológico.
Monitor
e acesso IV
O monitoramento do ECG é estabelecido para
identificar o ritmo cardíaco subjacente. Um acesso IV pode ser iniciado; 2
acessos minimizam o risco de perder o acesso IV durante a RCP. Acessos
periféricos de grande calibre, nas veias intermédias dos cotovelos, são
preferidos. Em adultos e crianças, se um acesso periférico não pode ser
estabelecido rapidamente, um acesso central subclávio ou femoral (ver Procedimento) pode ser colocado, desde que
isso possa ser feito sem interromper a compressão torácica (frequentemente
difícil). Acessos intraósseos (ver Infusão intraóssea) são alternativas,
sobretudo em crianças, pois podem ser inseridas rapidamente para evitar
atrasos na administração da primeira dose de adrenalina. Catéteres venosos
femorais (ver Procedimento), são uma opção porque a RCP não
precisa ser interrompida e eles apresentam menor potencial para complicações
letais; eles podem, porém, ter uma menor taxa de sucesso na colocação, pois
nenhuma pulsação discreta da artéria femoral está disponível para guiar a
inserção.
O tipo e o volume de líquidos ou fármacos
administrados dependem das circunstâncias clínicas. Em geral, soro fisiológico
a 0,9% IV é administrado lentamente (o suficiente apenas para manter o acesso
IV aberto); reposição de volume significativa (soluções de cristaloides e
coloides, sangue) só é necessária quando a parada resulta de hipovolemia
(ver Reanimação volêmica intravenosa) ou como
parte do tratamento do choque cardiogênico após o retorno da circulação
espontânea.
Circunstâncias
especiais
Em choque elétrico acidental, o
socorrista precisa, para evitar choque em si mesmo, ter certeza de que o
paciente não está mais em contato com o suprimento de energia elétrica. O uso
de ganchos ou hastes não metálicos e aterramento do socorrista permitem a
remoção segura do paciente antes de iniciar a RCP.
Em afogamento, a respiração de resgate
pode ser iniciada em água rasa, embora a compressão torácica não tenha
probabilidade de ser efetuada eficazmente até o paciente ser colocado na
horizontal sobre uma superfície firme.
Se ocorrer parada cardíaca após lesão
traumática, as manobras de desobstrução das vias respiratórias e um
breve período de ventilação externa após a desobstrução das vias respiratórias
têm prioridade máxima, porque a obstrução das vias respiratórias é a mais provável
causa tratável da parada. Se há suspeita de lesão medular cervical,
recomenda-se protrusão da mandíbula sem inclinação da cabeça nem elevação do
queixo. Outras causas de parada cardíaca traumática que não impedem a
sobrevida incluem tamponamento cardíaco e pneumotórax tensional, cuja punção
descompressiva imediata preserva a vida. Entretanto, a maioria dos pacientes
com parada cardíaca traumática tem hipovolemia pronunciada em razão de perda
de sangue (para a qual a compressão torácica pode ser ineficaz) ou lesões
encefálicas fatais.
Fármacos
para SACV
A despeito do uso generalizado e duradouro, nenhum
fármaco ou combinação de fármacos demonstrou conclusivamente aumentar a
sobrevida neurologicamente intacta até a alta hospitalar em pacientes com
parada cardíaca. Alguns fármacos parecem melhorar a probabilidade de
restauração da circulação espontânea (RCE) e, assim, podem ser razoavelmente
administrados (para dosagens, incluindo pediátricas, ver tabela Fármacos para reanimação). A terapia
medicamentosa para choque e parada cardíaca continua a ser pesquisada.
Em paciente com acesso IV periférico, a
administração de fármacos é seguida de um bolus líquido (IV “totalmente
aberto” em adultos; 3 a 5 mL em crianças pequenas) para enviar toda o fármaco
para a circulação central. Em paciente sem acesso IV ou intraósseo, naloxone,
atropina e adrenalina, quando indicadas, podem ser administradas pelo tubo endotraqueal,
com 2 a 2,5 vezes a dose IV. A compressão deve ser brevemente suspensa durante
a administração de um fármaco via tubo endotraqueal.
Fármacos de
primeira linha
O fármaco de primeira linha utilizado na parada
cardíaca é:-
·
Adrenalina
Deve-se administrar adrenalina 1 mg IV/IO o mais
rápido possível a pacientes com ritmo inicial não chocável, que pode ser
repetida a cada 3 a 5 minutos. Deve ser administrada precocemente em ritmos
não chocáveis, porque evidências recentes sugerem que a sobrevida aumenta quando
ela é administrada nos primeiros 5 minutos de reanimação, ou para taquicardia ventricular (TV) ou fibrilação ventricular (FV) refratária a
dois choques. Tem efeitos alfa-adrenérgicos e beta-adrenérgicos combinados. Os
efeitos alfa-adrenérgicos podem ampliar a pressão diastólica coronariana,
aumentando assim a perfusão subendocárdica durante as compressões torácicas. A
adrenalina também aumenta a probabilidade de desfibrilação bem-sucedida.
Entretanto, os efeitos beta-adrenérgicos podem ser danosos, pois aumentam a
demanda de oxigênio (especialmente do coração) e causam vasodilatação. Não se
recomenda a injeção intracardíaca de adrenalina porque, além de interromper a
compressão precordial, podem ocorrer pneumotórax, laceração de artéria
coronária e tamponamento cardíaco.
Uma dose de 300 mg de amiodarona pode ser
administrada uma vez se uma terceira tentativa de desfibrilação não é
bem-sucedida após administração de adrenalina, seguida de 1 dose de 150 mg.
Ela também tem valor potencial na recorrência de TV ou FV após sucesso na
desfibrilação; uma dose menor é administrada ao longo de 10 minutos e seguida
por infusão contínua. Não há prova persuasiva de que ela aumente a sobrevida
até a alta hospitalar. A lidocaína é uma alternativa antiarrítmica à
amiodarona, com uma dose inicial de 1 a 1,5 mg/kg, seguida de uma segunda dose
de 0,5 a 0,75 mg/kg.
A vasopressina não é mais eficaz que a adrenalina
e, portanto, não é mais recomendada como um fármaco de primeira linha pelas
diretrizes da American Heart Association (1). Mas no caso improvável da falta de
adrenalina durante RCP, pode-se substituir com a vasopressina.
Outros fármacos
Uma gama de fármacos adicionais pode ser útil em
cenários específicos.
O sulfato de atropina é um
fármaco parassimpaticolítico que aumenta a frequência cardíaca e a condução
através do nó atrioventricular. É administrada para bradiarritmias
sintomáticas e bloqueio de nó atrioventricular de alto grau. Não mais é
recomendada para assistolia ou atividade elétrica sem pulso.
Recomenda-secloreto de cálcio para
pacientes com hiperpotassemia, hipermagnesemia, hipocalcemia ou toxicidade por
bloqueador de canal de cálcio. Nos outros pacientes, devido ao cálcio
intracelular já estar mais elevado que o normal, cálcio adicional tem probabilidade
de ser danoso. Devido a parada cardíaca em pacientes de hemodiálise ser,
frequentemente, resultado de, ou acompanhada por, hiperpotassemia, esses
pacientes podem se beneficiar de um teste de cálcio se a determinação de
potássio junto ao leito não estiver disponível. Cuidado é necessário, pois o
cálcio exacerba a toxicidade dos digitálicos e pode causar parada cardíaca.
Recomenda-se lidocaína como uma
alternativa à amiodarona para FV ou TV que não responde à desfibrilação e
terapia vasopressora inicial com adrenalina. Também pode ser considerada após
o retorno da circulação espontânea após a parada por causa de FV ou TV (em
adultos) para prevenir FV ou TV recorrente.
Estudos clínicos randomizados não demonstraram que
o sulfato de magnésio melhore o resultado. Pode, porém, ser
útil em pacientes com torsades de pointes (do francês
"torções das pontas") ou deficiência de magnésio conhecida ou
suspeitada (isto é, pacientes alcoólicos, pacientes com diarreia prolongada).
Procainamida é um fármaco
de segunda linha para tratamento de FV ou TV. Mas a procainamida não é recomendada
para parada cardíaca sem pulso em crianças e não é mais recomendada pelas
diretrizes da American Heart Association para o tratamento de arritmias
ventriculares pós-parada. No entanto, o European Resuscitation Council o
inclui como uma opção para tratar pacientes hemodinamicamente estáveis com
taquicardia com complexo QRS largo de acordo com as diretrizes de 2021, uma
vez que alguns estudos mostraram uma associação com menos eventos adversos
maiores em comparação com a amiodarona (2).
Em casos raros, pode-se utilizar fenitoína para
tratar a TV, mas somente quando esta é decorrente de toxicidade digitálica e
refratária a outros fármacos. Administra-se uma dose de 50 a 100 mg/minutos o
a cada 5 minutos até o ritmo melhorar ou a dose total alcançar 20 mg/kg.
Bicarbonato de sódio não é mais
recomendado, a menos que a parada cardíaca seja causada por hipercalcemia,
acidose metabólica grave ou superdosagem de antidepressivo tricíclico. Pode-se
considerar bicarbonato de sódio quando a parada cardíaca é prolongada
(> 10 minutos); é administrado somente se existe boa ventilação.
Quando bicarbonato de sódio é utilizado, deve-se monitorar a concentração
sérica de bicarbonato ou o déficit básico antes da infusão e após cada dose de
50 mEq (1 a 2 mEq/kg em crianças).
Referências sobre
de fármacos para SCAV
- 1. Merchant RM,
Topjian AA, Panchal AR, et al:
Part 1: Executive Summary: 2020 American Heart Association Guidelines for
Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 142(16_suppl_2):S337-S357,
2020. doi:10.1161/CIR.0000000000000918
- 2. Soar J, Böttiger
BW, Carli P, et al: European
Resuscitation Council Guidelines 2021: Adult advanced life support
[correção publicada aparece em Resuscitation 2021
Oct;167:105-106]. Resuscitation 161:115-151, 2021.
doi:10.1016/j.resuscitation.2021.02.010
Tratamento
de disritmia
Trata-se TV sem pulso ou FV com
choque elétrico, preferivelmente com onda bifásica, assim que possível depois
desses ritmos serem identificados. Apesar de algumas evidências laboratoriais
em contrário, não se recomenda adiar a desfibrilação para administrar um
período de compressões torácicas. Deve-se interromper as compressões o mínimo
possível e por não mais que 10 segundos no momento da desfibrilação. Os níveis
de energia recomendados de desfibrilação variam:
·
120 a 200 joules para desfibriladores bifásicos
·
360 joules para desfibriladores monofásicos
Se o tratamento não é bem-sucedido após 2
tentativas, 1 mg IV de adrenalina é administrado e repetido a cada 3 a 5
minutos. Tenta-se desfibrilação no mesmo nível de energia ou em nível maior
1-2 minutos após cada administração de fármaco.
Se a FV persistir, administram-se 300 mg IV de
amiodarona. Então, se a FV/TV recorrer, administram-se 150 mg, seguidos por
infusão de 1 mg/minuto por 6 horas, então 0,5 mg/minuto.
As versões atuais dos desfibriladores externos
automáticos (DEAs) incluem um cabo pediátrico que reduz eficazmente a energia
transmitida à criança. (Para os níveis de energia pediátricos, ver Desfibrilação; para as doses farmacológicas,
ver tabela Fármacos para reanimação.)
Assístole pode ser mimetizada por um eletrodo
frouxo ou desconectado do monitor; assim, deve-se verificar as conexões do
monitor e observar o ritmo em um eletrodo alternativo. Se assistolia é
confirmada, o paciente recebe adrenalina 1 mg IV repetida a cada 3 a 5
minutos. A desfibrilação de uma aparente assistolia (porque “pode ser FV
fina”) é desencorajada porque choques elétricos podem lesionar o coração não
perfundido.
Atividade elétrica sem pulso é colapso
circulatório que ocorre apesar de complexos elétricos satisfatórios no ECG.
Pacientes com atividade elétrica sem pulso recebem infusão de adrenalina 1,0
IV a cada 3 a 5 minutos, seguida de infusão de 500 a 1.000 mL (20 mL/kg para
crianças) de soro fisiológico a 0,9% se há suspeita de hipovolemia. Tamponamento
cardíaco pode causar atividade elétrica sem pulso, mas esse distúrbio costuma
ocorrer em pacientes após toracotomia e em pacientes com derrame pericárdica
conhecida ou grande trauma torácico. Nesses cenários, efetua-se imediatamente
pericardiocentese ou toracotomia (ver figura Pericardiocentese). Tamponamento é raramente
uma causa oculta de parada cardíaca, mas, se suspeitado, pode ser confirmado
por ultrassonografia ou, caso esta não esteja disponível, pericardiocentese.
Término
da reanimação
A RCP deve ser continuada até o sistema
cardiopulmonar ser estabilizado, o paciente ser declarado morto ou um socorrista
solitário ser fisicamente incapaz de continuar. Se houver suspeita de que a
parada cardíaca é decorrente de hipotermia, a RCP deve ser continuada até o
corpo ser reaquecido até 34° C.
A decisão de terminar a reanimação é clínica; os
médicos levam em consideração a duração da parada, a idade do paciente e o
prognóstico das condições médicas subjacentes. A decisão é tipicamente tomada
quando a circulação espontânea não foi estabelecida após RCP e medidas de
suporte cardiovascular avançadas foram realizadas. Em pacientes entubados, o
nível de dióxido de carbono expirado final (ETCO2) < 10 mmHg após
20 minutos de RCP é um sinal de prognóstico reservado. Estudos sobre os
desfechos da parada cardíaca descobriram que a sobrevida com um quadro neurológico
favorável é < 1% em pacientes > 81 anos de idade (possivelmente ≥ 73
anos de idade — 1, 2) com parada cardíaca não testemunhada e ritmo
inicial não chocável.
Referências sobre
término da reanimação
- 1. Goto Y, Funada
A, Maeda T, Okada H, Goto Y:
Field termination-of-resuscitation rule for refractory out-of-hospital cardiac
arrests in Japan. J Cardiol 73(3):240–246, 2019.
doi:10.1016/j.jjcc.2018.12.002
- 2. Grunau B,
Scheuermeyer F, Kawano T, et al:
North American validation of the Bokutoh criteria for withholding
professional resuscitation in non-traumatic out-of-hospital cardiac
arrest. Resuscitation 135:51–56, 2019.
doi:10.1016/j.resuscitation.2019.01.008
Cuidados
pós-reanimação
A restauração da circulação espontânea (RCE) é
apenas uma meta intermediária na reanimação. O objetivo final é a sobrevida e
alta hospitalar com boa função neurológica, que é alcançada somente por uma
minoria de pacientes com RCE. Para maximizar a probabilidade de um bom resultado,
os médicos precisam prestar um bom atendimento de suporte (p. ex., controle da
pressão arterial, temperatura e ritmo cardíaco) e tratar as doenças
subjacentes, especialmente síndromes coronarianas agudas.
O tratamento pós-reanimação inclui a mitigação da
lesão por reperfusão que ocorre após o período de isquemia. Deve-se iniciar o
tratamento pós-reanimação imediatamente após a detecção de circulação
espontânea. Deve-se ajustar a administração de oxigênio de modo a obter uma
SpO2 de 94% de modo a minimizar o dano hiperóxico aos pulmões. Deve-se titular
a velocidade e o volume de ventilação de modo a obter uma leitura de dióxido
de carbono final expirado de 35 a 40 mmHg. Se tolerado, deve-se administrar um
bolus de líquido, bem como infusão de vasopressores.
Os exames laboratoriais pós-reanimação incluem
gasometria arterial, hemograma completo e exames bioquímicos do sangue, como
eletrólitos, glicose, BUN (nitrogênio da ureia sanguínea),
creatinina e marcadores cardíacos. (Em geral, a creatinoquinase está elevada
em razão da lesão do músculo esquelético causada pela RCP; prefere-se analisar
as troponinas, que têm pouca probabilidade de serem afetadas pela RCP ou
desfibrilação.) A pressão parcial arterial de oxigênio (PaO2) arterial deve
ser mantida próxima de valores normais (80 a 100 mmHg). Deve-se manter
hematócritos ≥ 30% (se houver suspeita de etiologia cardíaca) e
glicose em 140 a 180 mg/dL (7,7 a 9,9 mmol/L); eletrólitos, especialmente
potássio, devem estar dentro da faixa normal.
Angiografia
coronariana
A decisão de fazer cateterismo cardíaco após reanimação de
parada cardíaca deve ser individualizada, com base no eletrocardiograma (ECG),
na impressão clínica do cardiologista intervencionista e no prognóstico do
paciente. As diretrizes atuais sugerem fazer angiografia de emergência (em 2 a
6 horas) para pacientes adultos nos quais há suspeita de causa cardíaca e que
têm supradesnível do segmento ST (IMCST) no ECG.
Não está claro se o cateterismo cardíaco de
emergência (em cerca de 2 horas) ou mais tardio (mediana de cerca de 120 horas
após a parada) em pacientes sem IMCST no ECG resulta em algum benefício
clínico (1). Alguns pesquisadores defendem o uso
liberal do cateterismo cardíaco após RCE, fazendo o procedimento na maioria
dos pacientes a menos que a etiologia seja claramente improvável de ser
cardíaca (p. ex., afogamento) ou houver contraindicações (p. ex., sangramento
intracraniano).
Suporte
neurológico
Somente cerca de 10% de todos os sobreviventes de
parada cardíaca têm boa função do sistema nervoso central [índice de
desempenho cerebral (IDC) 1 ou 2 — ver tabela Escala de categorias de
desempenho cerebral] na alta hospitalar. Uma classificação de 1 no CPC é
indicativa de bom desempenho cerebral (o paciente está consciente, alerta,
capaz de trabalhar, mas pode ter deficit neurológico ou psicológico leve). Uma
classificação de 2 no CPC é indicativa de desempenho cerebral moderado (o
paciente está consciente, consegue realizar atividades de vida diária, AVDs) e
trabalhar em um ambiente simples. Lesão encefálica hipóxica é resultado de
lesão isquêmica e edema cerebral (ver Fisiopatologia da parada cardíaca). Lesão e
recuperação podem se desenvolver ao longo de 48 a 72 horas após a reanimação.
A manutenção da oxigenação e da pressão de
perfusão cerebral (evitando hiperventilação, hipóxia, hipóxia e hipotensão)
pode reduzir complicações cerebrais. Tanto hipoglicemia quanto hiperglicemia
podem lesar o encéfalo pós-isquêmico e devem ser tratadas.
Em adultos, recomenda-se o controle
direcionado da temperatura para pacientes que permanecem
irresponsivos após o retorno da circulação espontânea (2, 3). As recomendações atuais incluem tentar
manter a normotermia (< 37,5 ºC), embora muitos pesquisadores e médicos
continuem defendendo a hipotermia (temperatura corporal de 32 a 36 °C).
Independentemente da temperatura alvo escolhida, o controle ativo da
temperatura é iniciado assim que a circulação espontânea retorna. As técnicas
para induzir e manter hipotermia podem ser externas ou invasivas. Métodos de
resfriamento externo são fáceis de aplicar e variam desde a utilização de
bolsas de gelo externas até vários dispositivos de resfriamento externo
comercialmente disponíveis que circulam grandes volumes de água gelada sobre a
pele. Para o resfriamento interno, líquidos refrigerados IV (4 °C) podem ser
infundidos rapidamente para abaixar a temperatura do corpo, mas esse método
pode ser problemático em pacientes que não conseguem tolerar muito volume de
líquido adicional. Também estão disponíveis dispositivos externo de troca de
calor que circulam soro fisiológico gelada para um catéter IV de permanência
de troca de calor, utilizando um circuito fechado no qual o soro fisiológico
gelada circula através do catéter e volta ao dispositivo, em vez de entrar no
paciente. Outro método invasivo para resfriamento utiliza um dispositivo
extracorpóreo que circula e resfria o sangue externamente e depois o retorna à
circulação central. Independentemente do método escolhido, o objetivo é
resfriar o paciente rapidamente e manter a temperatura central no alvo (<
37,5 °C para normotermia ou entre 32 °C e 36 °C para hipotermia) por 24 horas
após a restauração da circulação espontânea. Atualmente, não há evidências de
que qualquer temperatura específica nessa faixa seja superior, mas é imperativo
evitar a hipertermia (4, 5).
Numerosos tratamentos farmacológicos, incluindo
eliminadores de radicais livres, antioxidantes, inibidores de glutamato e
bloqueadores de canal de cálcio, têm benefício teórico. Muitos foram
bem-sucedidos em modelos animais, mas nenhum se mostrou eficaz em ensaios com
seres humanos.
Suporte da pressão arterial
As recomendações atuais são manter uma pressão
arterial média (PAM) de > 65 mmHg e uma pressão arterial
sistólica > 90 mmHg. Em pacientes sabidamente hipertensos, uma
meta razoável é pressão arterial sistólica 30 mmHg abaixo do nível anterior à
parada. A PAM é mais bem mensurada com um catéter intra-arterial. O uso de um
catéter de artéria pulmonar direcionado por fluxo para monitoramento
hemodinâmico foi amplamente descartado.
·
Infusão de cristaloides IV (soro fisiológico normal ou Ringer lactato)
·
Fármacos inotrópicos ou vasopressores com o objetivo de manter uma
pressão arterial sistólica de pelo menos 90 mmHg e uma PAM de pelo menos 65
mmHg
·
Raramente, contrapulsação por meio de balão intra-aórtico
Pacientes com baixa PAM e baixa pressão venosa
central devem receber estímulo líquido IV com soro fisiológico a 0,9%
infundida em incrementos de 250 mL.
Embora não haja comprovação de que agentes
inotrópicos ou vasopressores aumentem a sobrevida a longo prazo, idosos com
PAM moderadamente baixa (70 a 80 mmHg) e pressão venosa central normal ou alta
ou veia cava inferior dilatada conforme avaliação feita por ultrassonografia à
beira do leito podem receber infusão de um inotrópio (p. ex., dobutamina
iniciada com 2 a 5 mcg/kg/min). Amrinona ou milrinona são alternativas
raramente utilizadas (ver tabela Fármacos para reanimação).
Se essa terapia for ineficaz, o inotrópio e o
vasoconstritor dopamina poderão ser considerados. Alternativas são adrenalina
e os vasoconstritores periféricos noradrenalina e fenilefrina (ver
tabela Fármacos para reanimação). Mas deve-se utilizar fármacos
vasoativos na dose mínima necessária para alcançar uma PAM normal-baixa porque
esses fármacos podem aumentar a resistência vascular e diminuir a perfusão
orgânica, especialmente no leito mesentérico. Também aumentam a carga de
trabalho do coração em um momento em que sua capacidade é diminuída devido à
disfunção miocárdica pós-reanimação.
Se a PAM permanecer < 70 mmHg em
pacientes que possam ter sofrido infarto do miocárdio, deve-se considerar
contrapulsação por balão intra-aórtico. Pacientes com PAM normal e pressão
venosa central alta ou veia cava inferior aumentada podem melhorar com
tratamento inotrópico ou redução da pós-carga com nitroprussiato ou
nitroglicerina.
A contrapulsação por balão intra-aórtico pode
auxiliar em estados de baixo débito circulatório decorrentes de insuficiência
da bomba ventricular esquerda refratária a fármacos. Um catéter com balão é
introduzido pela artéria femoral, percutaneamente ou por arteriotomia, de
maneira retrógrada, até a aorta torácica imediatamente distal à artéria
subclávia esquerda. O balão infla durante cada diástole, aumentando a perfusão
das artérias coronárias, e se esvazia durante a sístole, diminuindo a
pós-carga. Seu valor primário é como medida contemporizadora quando a causa do
choque é potencialmente corrigível por cirurgia ou intervenção percutânea (p.
ex., infarto agudo do miocárdio com grande obstrução coronariana,
insuficiência mitral aguda, defeito do septo interventricular).
Tratamento da
arritmia pós-retorno da circulação espontânea
Embora a fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular (TV) possam
recorrer após a reanimação, fármacos antiarrítmicos profiláticos não melhoram
a sobrevida e não são utilizados rotineiramente. Contudo, pode-se tratar os
pacientes que manifestam esses ritmos com procainamida, lidocaína (ver Outros fármacos) ou amiodarona (ver Fármacos de primeira linha).
Taquicardias supraventriculares rápidas
pós-reanimação ocorrem frequentemente devido a níveis elevados de
catecolaminas beta-adrenérgicas (endógenas e exógenas) durante a parada
cardíaca e a reanimação. Esses ritmos devem ser tratados se forem extremos, prolongados
ou associados a hipotensão ou sinais de isquemia coronariana. Uma infusão IV
de esmolol é administrada, iniciando a 50 mcg/kg/min.
Pacientes que tiveram parada causada por FV ou TV
não associada a infarto agudo do miocárdio são candidatos a um cardioversor desfibrilador implantável (CDI).
Os CDIs são implantados de maneira semelhante a marca-passos e têm contatos
intracardíacos e, às vezes, eletrodos subcutâneos. Eles podem detectar
arritmias e funcionar como cardioversor ou marca-passo, conforme a indicação.
Referências sobre
tratamento pós-reanimação
- 1. Spoormans EM, Lemkes JS, Janssens GN, et al: Ischaemic electrocardiogram patterns and
its association with survival in out-of-hospital cardiac arrest patients
without ST-segment elevation myocardial infarction: a COACT trials'
post-hoc subgroup analysis. Eur Heart J Acute Cardiovasc Care 11(7):535-543, 2022.
doi:10.1093/ehjacc/zuac060
- 2. Bernard SA, Gray
TW, Buist MD, et al: Treatment of
comatose survivors of out-of-hospital cardiac arrest with induced
hypothermia. N Engl J Med 346:557–563, 2002.
doi: 10.1056/NEJMoa003289
- 3. Nielsen N,
Wetterslev J, Cronberg T, et al:
Targeted temperature management at 33°C versus 36°C after cardiac
arrest. N
Engl J Med 369:2197–2206,
2013. doi: 10.1056/NEJMoa1310519
- 4. Granfeldt A,
Holmberg MJ, Nolan JP, Soar J, Andersen LW; International Liaison
Committee on Resuscitation (ILCOR) Advanced Life Support Task Force: Targeted temperature management in adult
cardiac arrest: Systematic review and meta-analysis. Resuscitation 167:160–172, 2021.
doi:10.1016/j.resuscitation.2021.08.040
- 5. Wyckoff MH,
Greif R, Morley PT, et al:
2022 International Consensus on Cardiopulmonary Resuscitation and
Emergency Cardiovascular Care Science With Treatment Recommendations:
Summary From the Basic Life Support; Advanced Life Support; Pediatric
Life Support; Neonatal Life Support; Education, Implementation, and
Teams; and First Aid Task Forces. Circulation 146(25):e483–e557, 2022.
doi:10.1161/CIR.0000000000001095
Nota do divulgador:- A quem
tenha alguém com problemas com o coração e possam não estar em condições de
ter ajuda imediata, vale a pena sempre conhecer o assunto e ter noção de
salvar seu ente querido em uma emergência até que o socorro chegue a tempo de
salvá-lo!!!
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